O agronegócio está no centro da agenda climática brasileira. Segundo o SEEG, do Observatório do Clima, a agropecuária respondeu por cerca de 29% das emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil em 2024. A mudança de uso da terra, puxada pelo desmatamento, respondeu por outros 42%.
Para medir e reduzir essas emissões, o primeiro passo é um inventário. Todo inventário feito com base no GHG Protocol, a metodologia mais usada no mundo, separa as emissões em três escopos.
Escopo 1: emissões diretas
São as emissões de fontes que a empresa possui ou controla. No agro, alguns exemplos comuns são:
- Fermentação entérica do rebanho, que libera metano.
- Manejo de dejetos animais.
- Aplicação de fertilizantes nitrogenados no solo, que gera óxido nitroso.
- Queima de diesel em tratores, colheitadeiras, caminhões e geradores próprios.
- Conversão de vegetação nativa dentro da propriedade.
Escopo 2: energia comprada
São as emissões indiretas da geração da energia elétrica que a empresa compra e consome. Em uma fazenda, entram a irrigação, a refrigeração, os secadores de grãos elétricos e as instalações administrativas.
Como a matriz elétrica brasileira tem grande participação de fontes renováveis, o escopo 2 costuma ser a menor parte do inventário de uma empresa do agro.
Escopo 3: a cadeia de valor
O escopo 3 reúne as demais emissões indiretas, que acontecem na cadeia de valor, antes e depois da operação. O GHG Protocol organiza essas emissões em 15 categorias. No agro, algumas das mais relevantes são:
- Bens e serviços comprados, como fertilizantes, defensivos, ração e sementes.
- Transporte e distribuição de insumos e da produção feitos por terceiros.
- Processamento dos produtos vendidos, quando a empresa vende matéria-prima.
- Resíduos gerados na operação e destinados por terceiros.
Para tradings, frigoríficos e indústrias de alimentos, a lógica se inverte. As emissões da fazenda que fornece a matéria-prima entram no escopo 3 da empresa que compra.
Por que o escopo 3 pesa mais
Em muitas empresas, a maior parte da pegada de carbono está fora da operação própria. Um relatório do CDP publicado em 2021 mostrou que as emissões da cadeia de suprimentos são, em média, 11,4 vezes maiores que as emissões operacionais das empresas.
Isso tem duas consequências para o agro. A primeira é que as empresas compradoras, pressionadas por metas climáticas, passam a pedir dados de emissões aos fornecedores. O produtor que já tem inventário próprio sai na frente nessa conversa.
A segunda é que o escopo 3 é o mais difícil de medir, porque depende de dados de terceiros. Sem um processo organizado de coleta, ele vira uma estimativa pouco confiável.
Como começar
Comece pelos escopos 1 e 2, que dependem de dados que a empresa já tem: consumo de combustível, notas de compra de fertilizantes, tamanho do rebanho e contas de energia. Depois, mapeie as categorias de escopo 3 mais relevantes para o negócio e defina quem na cadeia vai fornecer cada dado.
Também vale registrar as remoções. Áreas de vegetação nativa, reflorestamentos e sistemas integrados retiram carbono da atmosfera, e esse estoque também entra na conta.
A Vankka estrutura inventários de gases de efeito estufa com os escopos 1, 2 e 3 já organizados, acompanha remoções e estoque de carbono e faz os cálculos seguindo o GHG Protocol. Conheça o Carbon Score.


